Isto não é política, é o início de um expurgo realizado sob o manto da lei.
A Heritage Foundation, principal arquiteta do Projeto 2025, emitiu sua mais nova ordem: criar uma categoria federal de terrorismo chamada "Extremismo Violento Inspirado na Ideologia Transgênero" (TIVE, na sigla em inglês).
Isto não é sobre parar a violência. É sobre nos apagar.
Sob sua redação, cada parte da existência trans se torna "extremismo".
Isto rotularia você como terrorista:
- Chamar o discurso transfóbico de violento, mesmo que as evidências sejam inegáveis: em estados com leis anti-trans, as tentativas de suicídio entre jovens trans e não binários aumentam em até 72%.
- Nomear o fato de que suas políticas matam, mesmo que estudo após estudo mostre que o suicídio trans vem da rejeição, assédio e violência, não de ser trans em si.
- Usar nossa linguagem: cisgênero, deadnaming, misgendering. Essas palavras agora seriam consideradas extremismo violento.
- Ensinar consentimento esclarecido, o princípio de que jovens que entendem suas escolhas têm o direito de consentir com seu próprio cuidado. Mesmo afirmar esse direito básico seria rotulado como propaganda odiosa.
A única pessoa trans "segura" sob seu design é aquela que mente, que aceita o rótulo de "doente mental", que nega sua própria vida ao silêncio.
Este é o ponto. Este é o expurgo.
A Mentira do "Terror Trans"
Eles invocam o assassinato de Charlie Kirk como prova de uma suposta onda de terror, apesar de o assassinato gráfico não ter sido cometido por uma pessoa trans, nem por qualquer objetivo trans. Mas os números são claros:
- Pessoas trans constituem cerca de 1,6% da população dos EUA, mas representaram apenas 0,1% dos atiradores em massa na última década (FactCheck.org).
- Pessoas trans têm mais de 4 vezes mais probabilidade de serem vítimas de crimes violentos, incluindo estupro, agressão sexual e agressão agravada (Williams Institute).
- As taxas de tentativa de suicídio ao longo da vida para pessoas trans abusadas chegam a 32-50%, mas caem drasticamente em ambientes afirmativos e seguros (Trevor Project).
Quando o discurso nos chama de monstros, as pessoas agem de acordo. De acordo com dados do CDC, 17,7% das mulheres transgênero pesquisadas (cerca de 1 em 5) relataram pensamentos suicidas no último ano, com o risco aumentando acentuadamente entre aquelas que enfrentaram violência e assédio (CDC, 2023). Palavras matam. E eles sabem disso.
A "onda de terror" é fumaça e espelhos, é uma crise fabricada para forjar uma máquina de repressão. Eles vão testá-la em nossos corpos; uma vez que funcione, vão apontá-la para cada garganta que fala. Você já pode ver os primeiros relatos de discurso sendo amordaçado em todos os lugares.
Como Eles Definem "Extremismo"
Heritage e seu Projeto de Supervisão propõem que "extremismo" inclui:
- Nomear nossos abusadores.
- Descrever suas políticas como mortais.
- Usar a linguagem que construímos para sobreviver.
- Reivindicar nosso direito de existir sem vergonha.
E isto não é só sobre nós. Estas são as mesmas ferramentas que toda comunidade precisa para lutar:
- Imagine mulheres proibidas de falar sobre misoginia.
- Imagine pessoas de cor impedidas de nomear o racismo.
- Imagine jornalistas silenciados por expor abusadores.
Esse é o mundo que eles estão construindo.
Eles querem que tudo isso seja carimbado como terrorismo.
Isto Não é Sobre Violência. É Sobre Silêncio.
O FBI não pode legalmente designar comunidades como grupos terroristas. Heritage sabe disso. Eles não precisam nos tornar ilegais, eles só precisam inventar uma categoria.
Com o "Extremismo Violento Inspirado na Ideologia Transgênero" (TIVE) nos livros, a polícia pode nos vigiar. Empregadores podem nos colocar na lista negra. Juízes podem citá-lo. A mídia pode repeti-lo. A mentira contorna a verdade — e se torna real.
Não é "segurança pública". É permissão estatal para nos caçar.
E uma vez que essa máquina for construída, ela não vai parar em nós. A mesma ferramenta será remodelada contra toda minoria, toda comunidade que ousar resistir.
Mantenha a Linha
Este é o manual do fascismo: inventar uma ameaça, inflá-la até a histeria, e então usá-la para criminalizar a própria sobrevivência.
Eles não estão pedindo ao FBI para parar a violência. Eles estão exigindo que o FBI delegue violência contra nós.
Não podemos deixá-los.
- Diga a verdade: pessoas trans são alvos, não terroristas.
- Recuse o enquadramento: nossas palavras não são crimes.
- Mantenha a linha: hoje somos nós, amanhã é todo mundo.
Chame pelo que é.
Não debate.
Não mal-entendido.
Não política.
É o início de um expurgo. E o silêncio é cumplicidade.